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Guitarra Barroca Marcos Kaiser 2013 SP/BR "Belchior Dias 1581" (Desconto de R$ 800,00 à vista*)

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Guitarra Barroca Marcos Kaiser 2013 SP/BR "Belchior Dias 1581" (Desconto de R$ 800,00 à vista*) está disponível apenas em quantidades multiplas de 1

Descrição Rápida

Marcos Kaiser 2013 - semi-novo
Guitarra Barroca
 
Condição: estrutural (5/5), estética (4,5/5)
Tampo: Abeto europeu (maciço)
Fundo e laterais: Jacarandá baiano (em costelas)
Braço: Cedro brasileiro recoberto com ébano.
Escala: Ébano, nivelada (flushed), 10 trastes (+3 sobre o tampo)
Trastes: Tripa, amarrados
Rosa: Papiro em relevo
Formato do braço: “C” suave
Acabamento: Óleo
Cordas: tripa ou cordas para instrumentos de época
Afinação: g d B F c
Comprimento de corda: 55,4 mm
Pestana: 43 mm
Espaçamento de cordas no cavalete: 50 mm
Tarraxas: Cravelhas de madeira
Estojo: AMS Luxo

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Diagonal

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  • Diagonal
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  • Fundo
  • Diagonal fundo
  • Mão
  • Mão: cravelhas de madeira
  • Mão: costas
  • Fundo flautado (fluted) e abaulado (vaulted)
  • Tampo
  • Escala nivelada (flush) e boca
  • Rosa em papiro
  • Cavalete com bigode
  • Estojo AMS

* Campos Requeridos

Detalhes

Guitarra Barroca Marcos Kaiser 2013 "Belchior Dias 1581":
  
O luthier brasileiro Marcos Kaiser iniciou se aprendizado em 1994, com Abel Vargas and William Takahashi, construtores de cravos. Sua formação abrange diferentes áreas como mecânica, restauração, música, escultura e história da arte (USP), no âmbito geral, e em específico, instrumentos antigos, tendo estudado restauração e construção de alaúdes na Hungria, sido aprendiz de Alexander Hopkins na Espanha, e completado em 2011 seu MA (Master of Arts) em Music Technology no London Metropolitan University, especializando-se em aspectos construtivos de Guitarras Barrocas mais antigas. Seu trabalho se foca na luteria histórica, em restauração e construção de réplicas de instrumentos de corda antigos, como o Alaúde, Guitarra Barroca, Vihuelas. Sua filosofia é de respeito à pesquisa histórica, detalhismo e embasamento no que tange aos detalhes de construção e ao desempenho sonoro autêntico de um instrumento antigo.
  
Este exemplar é uma guitarra barroca, de 5 ordens, réplica da mais antiga guitarra barroca sobrevivente nos dias atuais: a Belchior Dias de 1581 (Lisboa), que atualmente se encontra na Royal College of Music, em Londres. Um instrumento de dimensões pequenas, da época de transição de guitarras de 4 ordens para as de 5 ordens (com um par extra de cordas graves sendo adicionado). A família das guitarras (instrumentos de cordas com caixa em formade 8) sempre se caracterizou por instrumentos mais populares e de acompanhamento, ao contrário dos alaúdes (instrumentos de cordas com caixa em forma de gota), que possuiam um repertório solista mais abrangente e com mais status nas cortes européias dessa época. Porém, ambas as famílias de instrumentos, juntamente com a Vihuela (instrumento com caixa de guitarra e afinação de alaude), prosperaram enormemente na Europa até o século 18. Esta Belchior Dias possui um fundo abaulado (vaulted) e com costelas de madeira dobradas de forma côncava, numa técnica que chamamos de fundo flautado (fluted). Assim, existe um envergamento de cada costela de madeira, e também um envergamento do conjunto inteiro do fundo, dando um tensionamento interno e resistência estrutural que eliminam a necessidade de travessas adicionais para dar estabilidade ao corpo. Isso gera uma caixa leve, mas muito ressonante. Um instrumento muito provavelmente para ser usado em repertório de acompanhamento, com uso de batidas e rasgueados.
 
As madeiras usadas são excelentes, com um jacaranda baiano escuro e envelhecido no fundo e laterais, e o tampo de pinho europeu, com um peculiar "bearclaw" único que lhe confere um caráter visual distinto. O tampo é cortado reto, com veios finos, paralelos e presença de medularidade em toda a extensão. O braço, feito de cedro, possui uma laminação de ébano, como era costume da época, o que dá um aspecto mais homogêneo em relação ao cravelhame (mão) e ao fundo escuro. A escala possui de tripas amarradas, como era feito na época, e vai até a casa 10, onde ela se junta ao tampo de forma nivelada, sem ressaltos, e os trastes continuam embutidos no próprio tampo até a casa 13. A rosa decorativa na boca é feita de papiro, plana com relevo, e foi escolhida pelo próprio construtor pois o desenho da original é desconhecido (o tampo original foi perdido com o tempo e não sobreviveu até os dias atuais).
  
A sonoridade é clara, nítida, crespa. Delicada e possui textura, sem ser seca, com presença de médio agudos. Os acordes ressoam ricos, sem embolar, mas ao mesmo tempo com boa mesclabilidade. O ataque é pronunciado mas com certa maciez, o decaimento lento com sustentação baixa. Isso torna o instrumento com pouca ressonância no tempo, com o som morrendo cedo, mas acarreta por outro lado um bom desempenho rítmico. As agudas são diretas, e as cordas mais graves possuem boa definição (apesar de não serem tão profundas). As quarta e quinta ordens, muitas vezes afinada mais agudas, funcionam bem em equilíbrio com as demais. A primeira ordem, que pode ser simples ou dupla (existe a cravelha extra para tal), tem razoável corpo e consegue destacar melodias se necessário. O desempenho nas cordas intermediárias é ligeiramente superior. Horizontalmente, o equilíbrio o é excelente entre casas e a sonoridade se mantém constante, até mesmo a partir da casa 10. 
   
O volume é baixo, especialmente pela caixa reduzida e comprimento de corda menor, mas a projeção é boa. Possui um bom alcance, com nitidez, tipico de fundos abaulados (vaulted), mas com certa complexidade e ambiência. Pela afinação mais aguda, em G, a sonoridade também viaja de forma mais penetrante. Trata-se de um volume de som singelo, mas que chega bem e ricamente aos ouvidos. A gama dinâmica é estreita, com funcionamento não tão ideal nos pianos ou nos fortíssimos. O instrumento transita bem entre os mezzos e os fortes, responde bem a rasgueados. Feito para um toque que misture sutileza com certo vigor controlado.
  
A tocabilidade é muito boa. O braço é muito confortável, com formato de D, ou seja, arredondado nas quinas, mas reto na parte de trás, o que dá uma boa base para o polegar. O tamanho reduzido pode ser dificil para se tocar sem correia, mas com correia a guitarra se torna mais fácil de estabilizar e sua levez não desgasta o intérprete.
 
O acabamento é feito em óleo, como é a forma original, e deve ser reposto/revisado periodicamente, para emlhor conservação. Esteticamente, o instrumento é uma jóia. O próprio formato do fundo flautado já gera uma aparência de refinamento de complexidade. Os detalhes ornamentais mesclam sobriedade nos tons escuros e filetação simples, com rebuscamento na rosa em papiro, no formato da mão e no cavalete com bigode. É um instrumento visualmente apaixonante, com muita personalidade e transpira arte em suas formas.
 
Inclui estojo AMS luxo.
 
Conservação:
- estrutural: 5/5. Excelente estado, é um violão como novo.
- estética: 4,5/5. Excelente estado. O único ponto de observação é que a lâmina de ébano no braço, com o tempo, desenvolveu pequenas aberturas em dois pontos, mas muito pouco perceptíveis e estabilizadas. Revisão do luthier garante que afora a estética, não há nenhuma consequência estrutural.
  
Resumo:
  
Pontos fortes: Timbre límpido, complexo, penetrante. Projeção nítida e com ambiência. Réplica feita com conhecimento musicológico adequado e com grande grau de genuinidade. Estética deslumbrante.
 
Pontos fracos: Potência singela, pouca gama dinâmica. Sustentação baixa.
 
Conclusão: É uma réplica excelente. Talvez sem a exatidão nas ornamentações da guitarra original, mas com grande correlação de medidas, detalhes estruturais e madeiras. A sonoridade corresponde ao grau de genuinidade presente nos atuais grandes luthiers de instrumentos de época, sem adaptações contemporâneas ou tentativas de "corrigir" o som. Um instrumento recomendado para repertório da Renascença, mas que também pode ser usado para obras de guitarra do período barroco. Para quem busca uma sonoridade mais singela, numa afinação mais aguda que a das guitarras barrocas de tamanho padrão do século 17 e 18. Não é uma guitarra versátil, mas é extremamente adequada para o repertório do século 16 e 17, e traz um tempero diferenciado em termos de tessitura.

Informações Adicionais

Especificações Não

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