Bem Vindo à Guitanda!

Violão Roberto Gomes 2003 CD/MC "Spiritus" (VENDIDO)

Disponibilidade: Esgotado

R$0,00

Descrição Rápida

(VENDIDO)

 

Roberto Gomes 2003 "Spiritus XXI" - Usado

Violão Classico

 

Condição: estrutural (5/5), estética (4,5/5)

Tampo: Cedro Canadense (sólido)

Fundo e laterais: Macacaúba (sólido)

Braço: Mogno

Escala: Ébano, Elevada, 20 trastes

Formato do braço: “C” suave

Acabamento: Goma-Laca tampo e Poliuretano corpo

Rastilho e pestana: Osso














Cordas: clássicas (nylon, carbono, similares)

Comprimento de corda: 650 mm

Espaçamento de cordas pestana/rastilho: 44/57,5 mm

Tarraxas: Fustero

Tensor: Não

Estojo: AMS Luxo (incluso)









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Diagonal

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  • Frente
  • Diagonal
  • Lateral: graves
  • Fundo: diagonal 1
  • Fundo
  • Fundo diagonal 2
  • Lateral: agudos
  • Diagonal 2
  • Mão: frente
  • Tarraxas Fustero
  • Mão: costas
  • Escala elevada
  • Roseta e cavalete
  • Detalhe: roseta e filetação
  • Estojo AMS
  • Selo

Detalhes

Violão Clássico Roberto Gomes 2003 CD/MC "Spiritus XXI" n.2:
 
(VENDIDO)
 
O luthier Roberto Gomes é uma das figuras mais proeminentes da luteria brasileira. Possui notório conhecimento da história da luteria, domínio técnico da construção, reconhecimento de grandes concertistas e é um dos maiores construtores de réplicas de Torres a nível mundial, com seus instrumentos constando dos acervos do National Music Museum, nos EUA. Dentre suas muitas especialidades, seu trabalho com violões com tampo de cedro canadense é notório pela excelência sonora, e sua versatilidade como construtor de violões é dificilmente igualada. Seus projetos vão desde réplicas de fidelidade e sonoridade soberba a instrumentos modernos, como o Spiritus, em que usa elementos inovadores na construção para maior impacto sonoro. No seu currículo, experiências como luthier na Espanha, EUA e artigos e palestras na GAL (Guild of American Luthiers), sendo membro desta respeitada instituição, além de ter chefiado um respeitado curso de luteria em São João Del Rey, nas décadas de 1980 e 1990. Seu trabalho como luthier já se tornou um dos grandes marcos da história da luteria brasileira, e seus instrumentos, impressionantes ferramentas sonoras, são obras de arte em todos os sentidos.
 
Este exemplar, muito raro de se encontrar à disposição, é o famoso modelo Spiritus XXI, que é comentado na comunidade violonística envolto numa aura de mistério e curiosidade. Para explicar sobre o projeto, nada melhor que as palavras do próprio Roberto Gomes, numa entrevista realizada por Alvaro Henrique em 2006:
 
"Um de seus modelos mais conhecidos é o modelo Spiritus. Como surgiu esse projeto? Você poderia descrevê-lo?

Como disse, os Fundos Duplo foram os primeiros violões experimentais e aí dei um tempo de alguns anos para assentar a poeira das pesquisas. Em 2001, quando já morando em Santa Catarina, tive uma namorada que é espírita e um dia ela me chega e diz que na noite anterior estivera conversando com um luthier. Achei estranho pois nesta época não tinha nenhum outro luthier de violões na Grande Florianópolis e aí disse-me que foi no plano espiritual. Olha, não acredito em bruxas mas que elas existem, existem, então começei a ler as seis ou sete folhas de papel que a moça havia escrito durante essa conversa e aparentemente não havia nada de revelador, pelo contrário, umas coisas que pareciam que não funcionariam mas, tinha diagramas e desenhos de violão que me surpreenderam pois ela não entendia bulhufas de violão/lutheria nem era desenhista exímia. Fiquei com os papéis e fui analisando-os nas semanas seguintes. Uma unica coisa que chamava muito a atenção era que o salto interno era totalmente diferente de qualquer coisa que havia visto. Era apoiado em sapatas longitudinais sobre uma tranversal e pelo o que o luthier do além havia lhe falado o fundo tinha que ser grosso algo em torno de 9mm! Deixei passar uns meses e aí como já andava de saco cheio da lutheria resolvi por em prática algumas idéias deste escrito e o primeiro violão (ainda com fundo/escala normais) tinha uma estrutura em círculos! E soava muito bem equilibrado, com um som gordo, doce e potente, expontaneamente batizei este experimento de "Spiritus". Apesar da estrutura circular funcionar, era uma grande consumidora de madeiras pois quase se gastava um outro tampo para executá-la, além da trabalheira toda. Resolvi mudar radicalmente o conceito fazendo algo de execução mais funcional com varetas longitudinais para evitar o colapso do tampo e algumas tranversais na área do cavelete para direcionar os tipos de frequências que almejava, como também a idéia de torção controlada na área do cavalete e finalmente fiz o fundo grosso com sapatas em cedro do Oregon (Thuya plicata). Foi um desafio de engenharia lutherística mas extremamente excitante e depois que já havia uma boa película de goma-laca no intrumento coloquei as cordas e, quase chorei de decepção! Estava muito chôcho, o som e a tensão das cordas! Fiquei p... da vida e saí do atelier pisando duro. Horas mais tarde voltei lá para subir a afinação das cordas novas e não acreditei no som, era outra coisa, as cordas estavam numa firmeza boa e o som era rico, equilibrado com corpo de nota a nota e, potente, tanto que uns dias depois alguns violonistas foram me visitar e não acreditaram no que ouviram, achavam que estava amplificado pois tinha muito mais som que um bom violão normal. O negócio da escala levantada é ótimo para tocar nas oitavas além da inclinação tirar mais energia do tampo e este primeiro Spiritus pleno acho que ainda está com o Zanon. A partir daí este modelo com fundo experimental passou a se chamar Spiritus XXI e o com fundo normal Spiritus XX. Fiz uns 15, 20 violões Spiritus, tem um até na Nova Zelândia! "
 (trecho extraído de: http://www.polemicos.com.br/entrevistas/roberto_gomes.php)
 
Este Spiritus é o no.2, pertenceu a um grande concertista brasileiro, e possui madeiras de muito alta qualidade. O tampo é de cedro canadense, espécie com a qual o Roberto Gomes tem lendária afinidade, com excelente densidade de veios, corte radial e estabilidade. O fundo e laterais são de Macacaúba, uma madeira brasileira avermelhada, de sonoridade excepcional, e que produz um timbre rico, com um toque de doçura, graves macios e profundos, e uma ponta de brilho. É uma das madeiras preferidas do luthier, e sua combinação com o cedro canadense é perfeita na estética e na sonoridade. Pelo projeto Spiritus XXI, o fundo é bastante espesso, com reforços (sapatas) internos, de forma a gerar uma caixa o mais inerte possivel, direcionando toda a energa de vibração para o tampo.  O tampo possui uma estrutura em grade, posicionada de forma a calibrar as frequências e disciplinar a potência gerada pelo projeto.
A sonoridade tem o corpo e o caráter que caracterizam os instrumentos do Roberto Gomes. Timbre encorpado, caloroso, cheio, mas com incidência de harmônicos agudos, que dão refinamento e contorno ao som. A presença forte da sonoridade é de caráter vulcânico, que mistura agressividade com dulcilidade, calor com brilho, consistência pastosa com fluidez. É um instrumento de sonoridade que mantém um pé na tradicional, mas com uma presença incomum de frequências graves e médias, que geram um timbre mais escuro e ressonância com presença mais dominante da fundamental. Essas características tornam, no aspecto tímbrico, o violão mais audível, tanto de perto como de longe.
 
Tem volume muito bom, e uma boa gama dinâmica. Responde excelentemente a toques fortes, sem estourar e mantend a consistência. Aliás, funciona tanto melhor quanto mais encorpado e vigoroso o toque. A projeção é uma pouco indisciplinada, com bastante alcance, mas com mais ambiência que foco. É o tipo de projeção que enche o ambiente por todos os lados, com grande efeito, mas com uma dispersão levemente desordenada em relação a uma projeção mais tradicional. Do ponto de vista de desempenho de palco, é um violão pronto, com grande retorno a quem toca, e bastante massa sonora.
 
O equilibrio vertical, entre cordas, é excelente. A primeira corda possui corpo e sustentação, a sexta corda possui boa profundidade, a terceira corda tem brilho e a transição para suas vizinhas é bem suave. Os bordões são presentes e encorpados, assim como as primas. O equilíbrio horizontal é regular, com algumas posições ressoando um pouco diferente de outras, na sustentação e na potência.
 
A toabilidade é regular, o violão possui boa tensão de cordas, o braço não é fino mas também não muito grosso, e tem formato de C, suave, com o arredondamento leve. A escala elevada facilita bastante o acesso às posições sobreagudas, e a mão direita trabalha com total liberdade, com menos risco de bater no tampo. O violão tem peso bem acima da média, pela maior quantidade de madeira, e se assenta firme na perna. No geral, não funciona tão bem para quem tem toque suave, mas casa perfeitamente com um toque concertista.
  
O verniz utilizado é a goma-laca no tampo e o poliuretano no corpo. A goma-laca é um verniz bastante tradicional, orgânico, que propicia uma sonoridade mais livre e com mais harmônicos, nesse tipo de construção. O poliuretano é um verniz sintético, que garante maior durabilidade e proteção contra riscos e desgaste.
 
A escala é de ébano, elevada, com 20 trastes. O braço de mogno. O cavalete de jacarandá, com 12 furos, o que facilita a colocação das cordas e também propicia um melhor ângulo de saída das cordas dos furos ao rastilho, transmitindo mais energia.
 
Esteticamente, o instrumento tem aparência harmoniosa, com a Macacaúba do fundo harmonizando em tonalidade ao Cedro do tampo. Os frisos em madeira clara geram um contraste e sabor espanhol ao conjunto. A roseta é feita pessoalmente pelo Roberto Gomes, num mosaico floral detalhado e em combinação de tons pastéis. A mão tem o formato tradicional do Roberto Gomes, com lâmina frontal de jacarandá.
 
Inclui estojo térmico da marca AMS, luxo, usado em regular estado, e tarraxas espanholas Fustero.
 
Conservação:
- estrutural: 5/5. Excelente estado, é um violão de qualidade de construção soberba.
- estética: 4,5/5. Ótimo estado, pouquíssimas marcas superficiais no tampo abaixo da escala, e apenas uma pequena marca mais visível, abaixo do cavalete. 
 
Resumo:
 
Pontos fortes: Muito boa potência aliada a um timbre encorpado, rico, doce e vulcânico. Resposta dinâmica ótima, com resposta aos fortíssimos sem perda de qualidade. Equilibrio vertical bastante acima da média, ataque firme sem ser estridente, e soberba qualidade de construção. Tem uma idade ideal, com amadurecimento bem efetuado pelo antigo proprietário, um concertista conceituado, mas ainda novo o suficiente para estar muito bem conservado e com sonoridade moldável ao novo dono. Aparência estética harmoniosa e roseta artesanal.
 
Pontos fracos: Projeção com bom alcance, mas com certa dispersão. Equilibrio horizontal com alguns pontos de inconsistência. É mais pesado, o que pode dificultar o transporte.
 
Conclusão: É um instrumento raro, com combinação de potência e timbre. Não possui a variação de timbre de um instrumento tradicional de pinho, mas com certeza possui as qualidades de um otimo instrumento de cedro, com mais volume, e até mais equilíbrio entre cordas. A sonoridade tem a característica calorosa do luthier, e responde excelentemente a toques em direção aos fortes. É muito adequado para palco, inclusive para musica de câmara, pela potência mas também pelo retorno que dá aos músicos. Talvez não tão adequado para repertório renascentista e barroco, mas tem grandes características para repert'rorio clássico espanhol, brasileiro, romântico e moderno. A mistura de agressividade com sofisticação é bastante peculiar, e é um instrumento que certamente causa grande impacto. Possui personalidade, e foi muito bem tocado durante seu periodo de vida, o que gerou um bom amadurecimento sonoro. Uma grande aquisição para quem quer desempenho com timbre.
 
 

Informações Adicionais

Especificações Não

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