Bem Vindo à Guitanda!

Violão Roberto Gomes 2007 SP/BR "Spiritus" (VENDIDO)

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Disponibilidade: Esgotado

R$0,00

Descrição Rápida

(VENDIDO)


Roberto Gomes 2007 "Spiritus XX" - Usado

Violão Classico

 

Condição: estrutural (5/5), estética (4/5)

Tampo: Abeto Europeu (sólido)

Fundo e laterais: Jacarandá Baiano (sólido)

Braço: Mogno

Escala: Ébano, Elevada, 19 trastes

Formato do braço: “C”

Acabamento: Goma-Laca

Rastilho e pestana: Osso



Cordas: clássicas (nylon, carbono, similares)

Comprimento de corda: 650 mm

Espaçamento de cordas pestana/rastilho: 43/57 mm

Tarraxas: Gotoh Premium

Tensor: Não

Estojo: AMS Luxo (incluso)






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  • Diagonal
  • Lateral
  • Fundo
  • Mão
  • Tarraxas Gotoh
  • Mão: costas
  • Escala elevada
  • Roseta e cavalete
  • Detalhe: roseta e filetação
  • Ambiente
  • Estojo AMS
  • Selo

Detalhes

Violão Clássico Roberto Gomes 2007 SP/BR "Spiritus XX" n.212:
 
(VENDIDO)
 
O luthier Roberto Gomes é uma das figuras mais proeminentes da luteria brasileira. Possui notório conhecimento da história da luteria, domínio técnico da construção, reconhecimento de grandes concertistas e é um dos maiores construtores de réplicas de Torres a nível mundial, com seus instrumentos constando dos acervos do National Music Museum, nos EUA. Dentre suas muitas especialidades, seu trabalho com violões com tampo de cedro canadense é notório pela excelência sonora, e sua versatilidade como construtor de violões é dificilmente igualada. Seus projetos vão desde réplicas de fidelidade e sonoridade soberba a instrumentos modernos, como o Spiritus, em que usa elementos inovadores na construção para maior impacto sonoro. No seu currículo, experiências como luthier na Espanha, EUA e artigos e palestras na GAL (Guild of American Luthiers), sendo membro desta respeitada instituição, além de ter chefiado um respeitado curso de luteria em São João Del Rey, nas décadas de 1980 e 1990. Seu trabalho como luthier já se tornou um dos grandes marcos da história da luteria brasileira, e seus instrumentos, impressionantes ferramentas sonoras, são obras de arte em todos os sentidos.
 
Este exemplar, muito raro de se encontrar à disposição, é o famoso modelo Spiritus, que é comentado na comunidade violonística envolto numa aura de mistério e curiosidade. Para explicar sobre o projeto, nada melhor que as palavras do próprio Roberto Gomes, numa entrevista realizada por Alvaro Henrique em 2006:
 
"Um de seus modelos mais conhecidos é o modelo Spiritus. Como surgiu esse projeto? Você poderia descrevê-lo?

Como disse, os Fundos Duplo foram os primeiros violões experimentais e aí dei um tempo de alguns anos para assentar a poeira das pesquisas. Em 2001, quando já morando em Santa Catarina, tive uma namorada que é espírita e um dia ela me chega e diz que na noite anterior estivera conversando com um luthier. Achei estranho pois nesta época não tinha nenhum outro luthier de violões na Grande Florianópolis e aí disse-me que foi no plano espiritual. Olha, não acredito em bruxas mas que elas existem, existem, então começei a ler as seis ou sete folhas de papel que a moça havia escrito durante essa conversa e aparentemente não havia nada de revelador, pelo contrário, umas coisas que pareciam que não funcionariam mas, tinha diagramas e desenhos de violão que me surpreenderam pois ela não entendia bulhufas de violão/lutheria nem era desenhista exímia. Fiquei com os papéis e fui analisando-os nas semanas seguintes. Uma unica coisa que chamava muito a atenção era que o salto interno era totalmente diferente de qualquer coisa que havia visto. Era apoiado em sapatas longitudinais sobre uma tranversal e pelo o que o luthier do além havia lhe falado o fundo tinha que ser grosso algo em torno de 9mm! Deixei passar uns meses e aí como já andava de saco cheio da lutheria resolvi por em prática algumas idéias deste escrito e o primeiro violão (ainda com fundo/escala normais) tinha uma estrutura em círculos! E soava muito bem equilibrado, com um som gordo, doce e potente, expontaneamente batizei este experimento de "Spiritus". Apesar da estrutura circular funcionar, era uma grande consumidora de madeiras pois quase se gastava um outro tampo para executá-la, além da trabalheira toda. Resolvi mudar radicalmente o conceito fazendo algo de execução mais funcional com varetas longitudinais para evitar o colapso do tampo e algumas tranversais na área do cavelete para direcionar os tipos de frequências que almejava, como também a idéia de torção controlada na área do cavalete e finalmente fiz o fundo grosso com sapatas em cedro do Oregon (Thuya plicata). Foi um desafio de engenharia lutherística mas extremamente excitante e depois que já havia uma boa película de goma-laca no intrumento coloquei as cordas e, quase chorei de decepção! Estava muito chôcho, o som e a tensão das cordas! Fiquei p... da vida e saí do atelier pisando duro. Horas mais tarde voltei lá para subir a afinação das cordas novas e não acreditei no som, era outra coisa, as cordas estavam numa firmeza boa e o som era rico, equilibrado com corpo de nota a nota e, potente, tanto que uns dias depois alguns violonistas foram me visitar e não acreditaram no que ouviram, achavam que estava amplificado pois tinha muito mais som que um bom violão normal. O negócio da escala levantada é ótimo para tocar nas oitavas além da inclinação tirar mais energia do tampo e este primeiro Spiritus pleno acho que ainda está com o Zanon. A partir daí este modelo com fundo experimental passou a se chamar Spiritus XXI e o com fundo normal Spiritus XX. Fiz uns 15, 20 violões Spiritus, tem um até na Nova Zelândia! "
 (trecho extraído de: http://www.polemicos.com.br/entrevistas/roberto_gomes.php)
 
Este Spiritus é um dos melhores exemplares que a Guitanda já avaliou. Realmente um instrumento magnífico, obra que justifica a fama de grande mestre do Roberto Gomes, e que tem causado admiração até mesmo de outros luthiers pela qualidade de construção. Possui madeiras de muito alta qualidade, com tampo de abeto europeu, de excelente densidade de veios, corte radial, medularidade muito presente em toda a extensão e de fibras inteiras. O fundo e laterais são de jacarandá baiano, de excelente corte: escuro, denso, com veios retos no centro. Uma madeira que tem também uma beleza visual singular, com veios em diferentes matizes de cor: pretos, acastanhados, esverdeados. O tampo possui uma estrutura em grade, posicionada de forma a calibrar as frequências e disciplinar a potência gerada pelo projeto.
A sonoridade tem o corpo e o caráter que caracterizam os instrumentos do Roberto Gomes. Timbre encorpado, caloroso, cheio, mas com incidência de harmônicos agudos, que dão refinamento e contorno ao som. A presença forte da sonoridade é de caráter vulcânico, que mistura agressividade com dulcilidade, calor com brilho, consistência pastosa com fluidez. É um instrumento de sonoridade que mantém um pé na tradicional apesar do projeto moderno, mas com uma sensação de plenitude sonora, pelo corpo que possui no timbre. Possui o brilho e a doçura de um violão de pinho, mas com incomum presença de graves, o que torna o instrumento bastante vigoroso e com certa sofisticação. O ataque presente com decaimento rápido também lembra o comportamento sonoro de um violão tradicional, mas com sustentação acima da média. 
Tem volume muito bom, e uma boa gama dinâmica. Responde excelentemente a toques fortes, mantendo a consistência tímbrica sem distorcer. Aliás, funciona tanto melhor quanto mais encorpado e vigoroso o toque. A projeção é muito boa, com mais ambiência que o usual em instrumentos de pinho, mas ainda com alcance e nitidez. É o tipo de projeção que atinge o ambiente por todos os lados, propiciando uma sensação envolvente. Do ponto de vista de desempenho de palco, é um violão pronto, com grande retorno a quem toca, e bastante massa sonora.
 
O equilibrio vertical, entre cordas, é excelente. A primeira corda possui corpo e sustentação, a sexta corda possui boa profundidade, a terceira corda tem brilho e a transição para suas vizinhas é bem suave. Os bordões são presentes e encorpados, assim como as primas. O equilíbrio horizontal é bom, com algumas posições ressoando um pouco diferente de outras, na sustentação e na potência, mas de forma geral apresentando muito boa consistência. As sobreagudas funcionam bem, assim como as posições no meio do braço.
A resposta tímbrica é boa, com variação controlável de cores na sonoridade, e relativa facilidade de controlar uniformidade de timbres também. Não possui sutilezas muito detalhadas, e não é tão delator dos erros e acertos. Já no aspecto de articulação, é bastante interessante, sendo fácil produzir legato e também separação de notas.
 
A tocabilidade é regular, o violão possui boa tensão de cordas, o braço é um pouquinho mais grosso que a média, e tem formato de C, arredondado. A escala elevada facilita bastante o acesso às posições sobreagudas, e a mão direita trabalha com total liberdade, com menos risco de bater no tampo. O violão tem peso um pouco acima da média, mas, se tratando de um Spiritus XX e não XXI, ele é bem próximo do peso padrão e se assenta bem na perna. 
  
O verniz utilizado é a goma-laca, que é um verniz bastante tradicional, orgânico, que propicia uma sonoridade mais livre e com mais harmônicos. A escala é de ébano, elevada, com 19 trastes. O braço de mogno. 
 
Esteticamente, o instrumento tem aparência original, com o uso da tradicional roseta de lírios feita pelo próprio Roberto Gomes, e filetes coloridos de assinatura. A mão tem o formato tradicional do Roberto Gomes, com lâmina frontal de jacarandá. A capa do cavalete tem uma decoração especial, de madrepérola e madeira. As madeiras são belas e contrastantes entre si, e a qualidade de montagem e acabamento é de mestre.
 
Inclui estojo térmico da marca AMS, luxo, usado em regular estado, e tarraxas japonesas Gotoh Premium, excelentes.
 
Conservação:
- estrutural: 5/5. Excelente estado, é um violão de qualidade de construção soberba.
- estética: 4/5. Muito bom estado, poucas marcas superficiais no tampo abaixo da escala e do cavalete, e pequenas marcas em algumas quinas.
 
Resumo:
 
Pontos fortes: Muito boa potência aliada a um timbre encorpado, rico, doce e vulcânico. Resposta dinâmica ótima, com resposta aos fortíssimos sem perda de qualidade. Equilibrio vertical bastante acima da média, ataque firme sem ser estridente, boa sustentação e soberba qualidade de construção. 
 
Pontos fracos: Não tem tantas nuances de timbre e nitidez como instrumentos estritamente tradicionais de pinho. 
 
Conclusão: É um instrumento raro, com combinação de potência e timbre. Não possui a variação refinada de timbre de um instrumento tradicional de pinho top, mas com certeza possui as qualidades de um otimo instrumento, com boa variação, boa nitidez, e com certeza mais refinamento que a maioria. E tudo isso tendo potência, projeção com ambiência, e uma sonoridade vigorosa e envolvente, com a característica calorosa do luthier. Responde excelentemente a toques em direção aos fortes. É muito adequado para palco, inclusive para musica de câmara, pela potência mas também pelo retorno que dá aos músicos. Também tem grandes características para repertório clássico espanhol, brasileiro, romântico e moderno. A mistura de agressividade com sofisticação é bastante peculiar, e é um instrumento que certamente causa grande impacto. Possui personalidade, e é uma grande aquisição para quem quer desempenho com timbre, e uma obra de um dos mais talentosos luthiers brasileiros.
 
 

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Especificações Não

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