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Violão Vicente Camacho 1966 SP/IN (VENDIDO)

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Disponibilidade: Esgotado

R$0,00

Descrição Rápida

Vicente Camacho 1966 - Usado
Violão Clássico

Condição: estrutural (4,5/5), estética (4/5)
Tampo: Abeto Europeu (maciço)
Fundo e laterais: Jacarandá Indiano (maciço)
Braço: Cedro (Spanish Cedar)
Escala: Ébano, Tradicional, 19 trastes
Formato do braço: “C/D”, levemente achatado atrás
Acabamento: Goma-laca tampo, Poliuretano corpo
Rastilho e pestana: Osso
Cordas: clássicas (nylon, carbono, similares)
Comprimento de corda: 660 mm
Espaçamento de cordas pestana/rastilho: 43/58 mm
Tarraxas: espanholas - lira
Tensor: Não
Estojo: Gator usado (incluso)



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Diagonal

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  • Mão
  • Tarraxas
  • Mão: costas
  • Roseta e cavalete
  • Detalhe: roseta e filetação
  • Ambiente
  • Selo

Detalhes

Violão Clássico Vicente Camacho 1966 SP/IN:
 
O luthier espanhol Vicente Camacho nasceu em Madrid, em 1928, e aprendeu o ofício da marcenaria com seu pai, desde criança. Aos 19 anos, o amigo da família e famoso luthier Modesto Borreguero, na época o único dos luthiers ainda vivos que se formaram na lendária oficina de Manuel Ramirez (os outros luthiers eram Santos Hernandez e Domingo Esteso), o convidou a se juntar a ele em sua oficina para ser seu aprendiz e aprender a construir violões. Assim, Camacho se tornou o único discípulo de Modesto Borreguero e se tornou parte da secular tradição madrilenha de construção. Em 1960, Camacho abriu sua própria oficina, onde trabalhou sozinho e formou uma reputação que levou seus instrumentos a todas as regiões do mundo. Seus violões eram totoalmente feitos por ele, em todas as partes, exceto as tarraxas. Nenhum instrumento de Camacho é igual ao outro, havendo sempre pequenos detalhes diferentes, sejam nas madeiras, na roseta, filetes ou outros pequenos aspectos, o que torna cada instrumento único. Entre os artistas que possuem seus instrumentos, podemos citar Angel Romero, Peter Capell, Emma Martinez, Greg Lake, Pepe Vergara e Ramon Villar.
 
Este exemplar se trata de um instrumento singular. Tendo sido construído em 1966, ele foi adquirido e guardado pela família do dono original por muitos anos. A conservação é tamanha que, ao abrir o estojo e olhar o violão, temos a sensação de entrar numa máquina do tempo, e contemplar um instrumento recém-construído, com a aparência que tinha na década de 1960. O tampo é de abeto europeu, de corte radial, veios finos e retos, medularidade em toda a extensão. O fundo é de um jacarandá indiano radial, de densidade de veios excelente, o braço de cedro brasileiro e a escala de ébano. Madeiras tradicionais e de excepcional corte, como as que os bons luthiers tinham acesso naquela época.
 
A sonoridade tem brilho, nitidez, com cremosidade e corpo. Possui muito bons graves, presentes, definidos e profundos. Os baixos projetambem nítidos e cortantes. Com ataque pronunciado, decaimento lento e sustentação média-boa, o instrumento sai um pouco do estereótipo do violão madrilenho, de decaimento mais rápido e percussividade. Pelo contrário, apesar de manter um ataque presente, a sonoridade se mantém ao longo da sustentação, dando ao som um aspecto melodioso e cremoso. É um instrumento que possui articulação e expressividade, com sonoridade impactante. Consegue ser brilhante sem ser magro. Muito provavelmente a influência do estilo Manuel Ramirez, de cuja oficina o violonista Segóvia obteve seu primeiro instrumento relevante, e que se caracterizava por ter menos percussividade e mais sofisticação que os instrumentos de seu irmãos José Ramirez. A variação tímbrica é boa, como é típico de um bom violão tradicional de abeto, mas também possui controle e não evidencia tanto os ruídos, com bom corpo em todas as cordas, mesmo em toques com mais unha. O vibrato também é bem controlável.
 
O equilíbrio é bom, com bom balanço entre bordões vigorosos e primas presentes. A terceira corda possui alguma diferença tímbrica, como é comum em violões tradicionais, e a primeira corda possui muito boa resposta e corpo. Os bordões são bem presentes e podem talvez encobrir as primas se não houver cuidado, mas no geral os níveis de sonoridade entre cordas estão balanceados. Horizontalmente, as notas ao longo do braço possuem boa similaridade de resposta, com algumas diferenças sutis entre casas (normal em instrumentos tradicionais), mas com sobreagudos não tão desenvolvidos, que precisariam ser mais tocados. Pelo histórico do instrumento, que passou muito tempo parado, a tendência é que, com o uso, as primas se desenvolvam ainda mais. A afinação é boa em todo o braço.
 
O volume é muito bom, com bastante presença no ataque. A projeção é ótima. Com o bom alcance e nitidez do pinho, o instrumento parece jogar o som para frente, tendo capacidade de projetar a uma boa distância e manter nitidez. É uma das características do Camacho, que sempre se notabilizou por conseguir boa projeção mesmo em instrumentos mais leves ou menores, como requintos. A gama dinâmica é ótima, com boa resposta entre pianíssimos e fortíssimos. Responde especialmente bem a toques vigorosos, sem estourar em demasia.
 
A tocabilidade é mediana. O braço possui uma espessura média/grossa, em formato misto de C/D (arredondado mas com leve achatamento atrás para apoio do polegar). O salto (junção do braço com a lateral do violão) tem um formato bom, para apoio do polegar ao tocar as regiões sobreagugas. O fato de ter comprimento de cordas 660 mm, como é tradicional de muitos luthiers madrilenhos, também contribui para tornar a sensação de toque mais firme.
 
O verniz utilizado é a goma-laca, no tampo, que gera um som mais orgânico e aberto, e o poliuretano no corpo, que confere boa proteção. Com a idade, o verniz já secou bastante, revelando novamente os veios da madeira. O acabamento é bem tradicional com a roseta feita pelo próprio Camacho em mosaico floral, combinando com a ornamentação do cavalete, e filetação com tonalidade verde. É a aparência de um típico instrumento espanhol. A conservação é excepcional para a idade. O instrumento passou anos guardado, e aparenta ser muito jovem, mesmo tendo sido construído na década de 1960.
 
Inclui estojo térmico usado Gator, e tarraxas espanholas em forma de lira, em excelentes condições.
 
Conservação:
- estrutural: 4,5/5. Excelente estado, a qualidade de construção torna o instrumento muito resistente ao tempo. A única coisa que denuncia sua idade é o natural amadurecimento das madeiras.
- estética: 4/5. Ótimo estado. Possui algumas marcas de unha (não riscos, mas afundados) no tampo, uma certa opacidade e riscos superficiais no fundo e laterais. Considerando-se a idade, está excepcional. Raríssimo se observar uma conservação assim com violões dessa idade.
 
Resumo:
 
Pontos fortes: Timbre brilhante, encorpado, com ataque e baixos excepcionais. Ótima projeção. Boa resposta dinâmica e articulação. Conservação excelente com verniz já cristalizado e madeiras maduras.
 
Pontos fracos: Equilíbrio horizontal razoável, com sobreagudos ainda por abrir (explicado pelo fato de ser um instrumento pouco tocado - tende a melhorar). Tocabilidade regular. Apesar da idade, é um instrumento pouco tocado, e que vai ainda amdurecer com o uso, de certa forma, como um violão novo.
 
Conclusão: Um violão tradicional vigoroso, praticamente conservado como era na década de 1960. Tem as características de um violão de pinho, com brilho, nitidez e colorido, mas com robustez, ataque. Mistura a característica madrilenha com uma sofisticação maior no sustain e timbre, tendo impacto e suavidade. Um instrumento que pode ser usado em todas as áreas do repertório clássico. Barroco e Renascentista pela nitidez, e articulação. Clássico pelos graves presentes, que geram um colchão tonal perfeito para melodias. Romântico pelo decaimento lento e expressividade. Repertório nacionalista espanhol obviamente, e século 20, pela articulação, contrastes dinâmicos e tímbricos. Enfim, é um instrumento sofisticado, versátil e clássico. O histórico de preservação faz dele um violão com características de imaturidade, e que precisa ser tocado para abrir e mostrar ainda mais seu potencial. Mas, da forma como é hoje, já possui excelentes qualidades e está pronto para concerto.

Informações Adicionais

Especificações Não

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