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Violão Roberto Gomes 2004 CD/CD&MC "Spiritus" (ESGOTADO)

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Disponibilidade: Esgotado

R$0,00

Descrição Rápida

Roberto Gomes 2004 "Spiritus XXI" - Usado
Violão Classico

Condição: estrutural (5/5), estética (4/5)
Tampo: Cedro Canadense (maciço)
Fundo: Cedro Canadense (maciço)
Laterais: Macacaúba (maciço)
Braço: Mogno
Escala: Ébano, Elevada, 20 trastes
Formato do braço: “C”
Acabamento: Goma-laca
Rastilho e pestana: Osso
Cordas: clássicas (nylon, carbono, similares)
Comprimento de corda: 650 mm
Espaçamento de cordas pestana/rastilho: 43/57,5 mm
Tarraxas: Fustero
Tensor: Não
Estojo: BAM (usado)

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  • Fundo
  • Diagonal fundo
  • Mão
  • Tarraxas Fustero
  • Mão: costas
  • Roseta e cavalete
  • Detalhe: roseta e filetação
  • Selo
  • Estojo BAM

Detalhes

Violão Clássico Roberto Gomes 2004 CD/CD&MC "Spiritus XXI" n.187 "La Viajante":
  
O luthier Roberto Gomes é uma das figuras mais proeminentes da luteria brasileira. Possui notório conhecimento da história da luteria, domínio técnico da construção, reconhecimento de grandes concertistas e é um dos maiores construtores de réplicas de Torres a nível mundial, com seus instrumentos constando dos acervos do National Music Museum, nos EUA. Dentre suas muitas especialidades, seu trabalho com violões com tampo de cedro canadense é notório pela excelência sonora, e sua versatilidade como construtor de violões é dificilmente igualada. Seus projetos vão desde réplicas de fidelidade e sonoridade soberba a instrumentos modernos, como o Spiritus, em que usa elementos inovadores na construção para maior impacto sonoro. No seu currículo, experiências como luthier na Espanha, EUA e artigos e palestras na GAL (Guild of American Luthiers), sendo membro desta respeitada instituição, além de ter chefiado um respeitado curso de luteria em São João Del Rey nas décadas de 1980 e 1990. Seu trabalho como luthier já se tornou um dos grandes marcos da história da luteria brasileira, e seus instrumentos, impressionantes ferramentas sonoras, são obras de arte em todos os sentidos.
 
Este exemplar, histórico e muito raro de se encontrar à disposição, é o famoso modelo Spiritus XXI, que é comentado na comunidade violonística envolto numa aura de mistério e curiosidade. Para explicar sobre o projeto, nada melhor que as palavras do próprio Roberto Gomes, numa entrevista realizada por Alvaro Henrique em 2006:
 
"Um de seus modelos mais conhecidos é o modelo Spiritus. Como surgiu esse projeto? Você poderia descrevê-lo?

Como disse, os Fundos Duplo foram os primeiros violões experimentais e aí dei um tempo de alguns anos para assentar a poeira das pesquisas. Em 2001, quando já morando em Santa Catarina, tive uma namorada que é espírita e um dia ela me chega e diz que na noite anterior estivera conversando com um luthier. Achei estranho pois nesta época não tinha nenhum outro luthier de violões na Grande Florianópolis e aí disse-me que foi no plano espiritual. Olha, não acredito em bruxas mas que elas existem, existem, então começei a ler as seis ou sete folhas de papel que a moça havia escrito durante essa conversa e aparentemente não havia nada de revelador, pelo contrário, umas coisas que pareciam que não funcionariam mas, tinha diagramas e desenhos de violão que me surpreenderam pois ela não entendia bulhufas de violão/lutheria nem era desenhista exímia. Fiquei com os papéis e fui analisando-os nas semanas seguintes. Uma unica coisa que chamava muito a atenção era que o salto interno era totalmente diferente de qualquer coisa que havia visto. Era apoiado em sapatas longitudinais sobre uma tranversal e pelo o que o luthier do além havia lhe falado o fundo tinha que ser grosso algo em torno de 9mm! Deixei passar uns meses e aí como já andava de saco cheio da lutheria resolvi por em prática algumas idéias deste escrito e o primeiro violão (ainda com fundo/escala normais) tinha uma estrutura em círculos! E soava muito bem equilibrado, com um som gordo, doce e potente, expontaneamente batizei este experimento de "Spiritus". Apesar da estrutura circular funcionar, era uma grande consumidora de madeiras pois quase se gastava um outro tampo para executá-la, além da trabalheira toda. Resolvi mudar radicalmente o conceito fazendo algo de execução mais funcional com varetas longitudinais para evitar o colapso do tampo e algumas tranversais na área do cavelete para direcionar os tipos de frequências que almejava, como também a idéia de torção controlada na área do cavalete e finalmente fiz o fundo grosso com sapatas em cedro do Oregon (Thuya plicata). Foi um desafio de engenharia lutherística mas extremamente excitante e depois que já havia uma boa película de goma-laca no intrumento coloquei as cordas e, quase chorei de decepção! Estava muito chôcho, o som e a tensão das cordas! Fiquei p... da vida e saí do atelier pisando duro. Horas mais tarde voltei lá para subir a afinação das cordas novas e não acreditei no som, era outra coisa, as cordas estavam numa firmeza boa e o som era rico, equilibrado com corpo de nota a nota e, potente, tanto que uns dias depois alguns violonistas foram me visitar e não acreditaram no que ouviram, achavam que estava amplificado pois tinha muito mais som que um bom violão normal. O negócio da escala levantada é ótimo para tocar nas oitavas além da inclinação tirar mais energia do tampo e este primeiro Spiritus pleno acho que ainda está com o Zanon. A partir daí este modelo com fundo experimental passou a se chamar Spiritus XXI e o com fundo normal Spiritus XX. Fiz uns 15, 20 violões Spiritus, tem um até na Nova Zelândia! "
 
 (trecho extraído de: http://www.polemicos.com.br/entrevistas/roberto_gomes.php)
 
Este violão é o raríssimo modelo Spiritus XXI. O tampo é de cedro canadense, espécie com a qual o Roberto Gomes tem lendária afinidade, com excelente densidade de veios, corte radial e estabilidade. O fundo, curiosamente, é feito também de cedro canadense, de corte radial e medularidade bastante presente. Isso reforça a sonoridade, com uso de madeira de grandes propriedades acústicas tanto no tampo como no fundo. As laterais são de Macacaúba, uma madeira brasileira avermelhada, resistente, de sonoridade excepcional, e que produz um timbre rico, com um toque de doçura, graves macios e profundos, e uma ponta de brilho. É uma das madeiras preferidas do luthier, e sua combinação com o cedro canadense é perfeita na estética e na sonoridade. Pelo projeto Spiritus XXI, o fundo é bastante espesso, com reforços (sapatas) internos, de forma a gerar uma caixa o mais inerte possivel, direcionando toda a energa de vibração para o tampo. A escala é de ébano, elevada, com 20 trastes. O braço de mogno, ambos de alta qualidade. 
  
A sonoridade tem o corpo e o caráter que caracterizam os instrumentos do Roberto Gomes. Timbre encorpado, caloroso, cheio, mas com incidência de harmônicos agudos, que dão refinamento e contorno ao som. A presença forte da sonoridade é de caráter vulcânico, que mistura agressividade com dulcilidade, calor com brilho, consistência pastosa com fluidez. É um instrumento de sonoridade que mantém um pé na tradicional, mas com uma presença incomum de frequências graves e médias, que geram um timbre mais escuro e ressonância com presença mais dominante da fundamental. Essas características tornam, no aspecto tímbrico, o violão mais audível, tanto de perto como de longe. A resposta tímbrica é muito boa dentro do universo do cedro. Possui variação de colorido controlável, com expressividade em vibratos. O ataque é semi-pronunciado, sendo articulado sem ser estridente, com decaimento rápido e bom sustain, oq ue faz o violão ter certa percussividade mas sem perder a melodiosidade nas notas longas.
 
Tem volume muito bom, e uma boa gama dinâmica. Responde excelentemente a toques fortes, sem estourar e mantendo a consistência. Aliás, funciona tanto melhor quanto mais encorpado e vigoroso o toque. A projeção é uma pouco indisciplinada, com bastante alcance, mas com mais ambiência que foco. É o tipo de projeção que enche o ambiente por todos os lados, com grande efeito, mas com uma dispersão levemente desordenada em relação a uma projeção mais tradicional. Do ponto de vista de desempenho de palco, é um violão pronto, com grande retorno a quem toca, e bastante massa sonora.
 
O equilibrio vertical, entre cordas, é bom. A primeira corda possui corpo e sustentação, a sexta corda possui boa profundidade, e em geral baixos e primas se equilibram de forma balanceada. Apenas a terceira corda ainda possui um pouco menos de brilho que as vizinhas, o que é normal e tende a equilibrar cada vez mais com o toque e amadurecimento.  O equilíbrio horizontal é bom, com algumas posições ressoando um pouco diferente de outras, na sustentação e na potência, mas sem grandes discrepâncias, e as notas sobreagudas soando bem.
 
A tocabilidade é de regular a boa, o violão possui boa tensão de cordas, o braço não é fino mas também não muito grosso, e tem formato de C, arredondado. A escala elevada facilita bastante o acesso às posições sobreagudas, e a mão direita trabalha com total liberdade, com menos risco de bater no tampo. O violão tem peso bem acima da média, pela maior quantidade de madeira, e se assenta firme na perna. No geral, não funciona tão bem para quem tem toque suave, mas casa perfeitamente com um toque concertista.
  
O verniz utilizado é a goma-laca indiana, aplicada a pincel, que tem um tradicional aspecto alaranjado. A aplicação foi feita pelo falecido luthier de violinos João da Silva.
  
Esteticamente, o instrumento tem aparência harmoniosa, com o tampo e fundo espelhados em Cedro, e a Macacaúba da lateral harmonizando em tonalidade ao alaranjado/avermelhado geral. Os frisos em madeira clara geram um contraste e sabor espanhol ao conjunto. A roseta é feita pessoalmente pelo Roberto Gomes, num mosaico floral (lírios) detalhado e em combinação de tons pastéis. A mão tem o formato tradicional do Roberto Gomes, com lâmina frontal de jacarandá.
 
Inclui estojo térmico da marca BAM, feito de fibra de carbono, usado em regular estado, e tarraxas espanholas Fustero. O estojo BAM é um grande acessório, que é leve e bastante resistente, e agrega valor à compra.
 
Conservação:
- estrutural: 5/5. Excelente estado, é um violão de qualidade de construção soberba, sem nenhum dano estrutural.
- estética: 4/5. Ótimo estado, pouquíssimas marcas superficiais no tampo,e o verniz apenas levemente fosqueado pelo tempo e uso. 
 
Resumo:
 
Pontos fortes: Muito boa potência aliada a um timbre encorpado, rico, doce e vulcânico.Graves encorpados. Resposta dinâmica ótima, com resposta aos fortíssimos sem perda de qualidade. Ataque firme sem ser estridente, e soberba qualidade de construção. Estojo de fibra de carbono BAM incluso.
 
Pontos fracos: Projeção com bom alcance, mas com certa dispersão. Equilíbrio vertical ainda precisa de desenvolvimento na corda sol. É mais pesado, o que pode dificultar o transporte.
 
Conclusão: É um instrumento potente, encorpado e com caráter. Não possui a variação de timbre de um instrumento tradicional de pinho, mas com certeza possui as qualidades de um otimo instrumento de cedro, com mais volume, e ótima dinâmica. A sonoridade tem a característica calorosa do luthier, e responde excelentemente a toques em direção aos fortes. É muito adequado para palco pela potência mas também pelo retorno que dá aos músicos. Talvez não tão adequado para repertório renascentista e barroco, mas tem grandes características para repertório clássico espanhol, brasileiro, romântico e moderno. A mistura de agressividade com sofisticação é bastante peculiar, e é um instrumento que certamente causa grande impacto. Além disso, é extremamente adequado para música de câmara, grupos ou duos, onde é preciso que o violão possa ter audibiidade em meio a outros instrumentos potentes. Possui personalidade, sendo um instrumento com graves presentes e agudas marcantes, com características sonoras que o deixam bastante difícil de esquecer uma vez ouvido. Uma grande aquisição para quem quer desempenho com timbre. 
 
 

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Especificações Não

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