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Violão Sugiyama 1983 CD/BR (VENDIDO)

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Disponibilidade: Esgotado

R$0,00

Descrição Rápida

Sugiyama 1983 - Usado
Violão Clássico
 
Conservação: estrutural (4,5/5), estética (4/5)
Tampo: Cedro Canadense (maciço)
Fundo e laterais: Jacarandá Baiano (maciço)
Braço: Mogno
Escala: Ébano, tradicional, 19 trastes
Formato do braço: “C”
Acabamento: Poliuretano
Rastilho e pestana: Osso
Cordas: clássicas (nylon, carbono, similares)
Comprimento de corda: 660 mm
Espaçamento de cordas pestana/rastilho: 42/57 mm
Tarraxas: Japonesas
Tensor: Não
Estojo: Usado

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  • Diagonal fundo
  • Mão
  • Tarraxas japonesas
  • Mão: costas
  • Roseta e cavalete
  • Detalhe: roseta e filetação
  • Selo
  • Estojo

Detalhes

Violão Clássico Shigemitsu Sugiyama 1983 n.235:
  
O luthier Shigemitsu Sugiyama está na categoria de luthiers lendários da história brasileira. Um dos pioneiros a construir instrumentos de alta qualidade no país, ele se notabilizou por seus instrumentos de acabamento refinado, construção sofisticada, e especialização na utilização do cedro canadense no tampo. Tendo aprendido o ofício no Japão, sob a tutela do luthier Masaru Kohno, se estabeleceu no Brasil no começo seu trabalho autoral a partir da década de 1970. Com a colaboração do renomado violonista brasileiro Turíbio Santos, Sugiyama passa a desenvolver sua arte, influenciado pelo trabalho do espanhol Ignacio Fleta, e passou a ser reconhecido e admirado por violões de sonoridade penetrante, impactante, com bom ataque e percussividade. Pelo detalhismo e extremo capricho em todas as etapas da construção, desde a seleção de madeiras até o excepcional acabamento, Sugiyama conquistou as graças de muitos artistas, entre eles: Turíbio Santos,
João Bosco, Toquinho, Chico Buarque e Paulinho da Viola.
  
Este instrumento, de 1983, é um dos últimos exemplares do que chamamos de primeira fase do luthier, que vai até meados da década de 1980, na qual seu foco abrangia instrumentos de construção bastante influenciada pelo trabalho do espanhol Fleta, com sonoridade voltada para o clássico, mas também com muita aceitação dentre artistas da MPB. Este violão se trata do modelo ESJ-660, de escala longa (bastante usada na construção espanhola), com bom ataque, som agressivo e robusto, mas com certa cremosidade e brilho. Mantém o calor da sonoridade do cedro, com ataque pronunciado, som grave e potente, mas com boa separação de vozes, tendo grande versatilidade para música clássica, popular brasileira ou espanhola.
  
As madeiras são excelentes, de uma época em que era menos raro conseguir materiais como este, que passaram a escassear a partir da década de 1990. Além disso, a seleção das madeiras segue o célebre processo de avaliação rigorosa do luthier. O tampo é de cedro canadense, de corte radial, veios finos e medularidade em toda a extensão. Um cedro envelhecido, com boa estrutura de veios, bom corte e densidade, firme. O fundo e laterais são de jacarandá baiano, a madeira mais valorizada para luteria de violões. Um jacarandá que é raro encontrar, com corte semi-radial (percebem-se os veios paralelos na faixa central do fundo), veios finos e coloração escura. A escala é de ébano, tradicional, e o braço de mogno. Todo o conjunto de madeiras é fantástico, sendo o que há de mais propício para se fazer um violão.
  
O timbre possui todas as características descritas acima, com ataque, presença, vigor. Mas também certa cremosidade, expressividade, que confere um aspecto doce e cantante a um violão que é em geral mais agressivo e de sonoridde impactante. Excelentes graves, profundos e definidos, e primas amadurecidas, com sonoridade aberta. A sonoridade tem muito boa presença da fundamental, mas os harmônicos existem e dão brilho ao som, que tem um aspecto cristalino raro de se encontrar e instrumentos de cedro. O ataque é bem presente, com o decaimento rápido do cedro, mas boa sustentação. Isso confere percussividade ao instrumento, mas a mantém sob controle e não deixa o som ficar seco demais, com melodias e expressividade em vibratos ainda em primeiro plano. A resposta tímbrica é razoável, com mais homogeneidade que colorido, mas possui variações contrastantes de timbre, apesar de não ter um leque sutil de variação. Enfim, um típico violão de tampo de cedro de influência espanhola.
  
A poténcia é muito boa, com som pra frente, nítido e com firmeza na nota fundamental. O instrumento responde bem a toques potentes, e possui firmeza de projeção. O som viaja de forma compacta, e não dispersa tanto quanto tradicionalmente se vê em cedro. A nitidez é muito boa, fazendo assim com que a relação de audibilidade x distância seja excelente. Dinamicamente, possui muito bom desempenho em pianos e mezzos, que são encorpados, projetados e nítidos. Nos fortes, possui ainda robustez, o que dá um leque dinâmico muito bom, mas a partir de certo ponto, o aumento de potência vem com o aumento de percussividade, enfatizando mais o ataque do que a sustentação.
  
O equilíbrio é excelente, uma característica raríssima em cedro, com baixos profundos, firmes, nítidos, e com as cordas agudas penetrantes, encorpadas e potentes. Verticalmente, entre cordas, o equilíbrio é realmente surpreendente, com uma terceira corda de sonoridade aberta, sensual, cremosa e brilhante. A primeira corda não perde corpo e se mescla muito bem com a segunda corda. Horizontalmente, entre casas, também temos um equilíbrio raro, com notas de mesma potência, ataque e decaimento, com raras e pequenas variações (como é normal), mas nenhum buraco ou nota gritante. Os sobreagudos funcionam muito bem, e as posições altas e presas no meio do braço são bastante abertas. Conforme se pode ler no final da resenha, o violão teve uma revisão no seu aniversário de 30 anos, feita pelo Sugiyama, alterando certos detalhes da estrutura interno a fim de aumentar o equilíbrio e melhorar a sonoridade em geral. Baseado no equilíbrio deste instrumento, podemos atestar que o resultado foi bastante efetivo.
 
A tocabilidade é boa, mas dependente da mão do intérprete. Tem uma regulagem bem calibrada, braço confortável, arredondado, com formato de C, mas com certa suavização na parte de trás, para bom apoio do polegar. A espessura do braço não é nem grossa demais, o que geraria desconforto, nem fina a ponto de exigir muita compressão da mão esquerda. Assim, do ponto de vista de ajuste e regulagem, é muito bem dimensionado. Mas, a escala mais longa, de 660 mm de comprimento de corda, pode incomodar alguns que preferem as casas um pouco mais juntas, e também incorre em uma tensão levemente maior nas cordas. Como é uma característica que também gera benefícios, como mais conforto nas posições apertadas e melhor firmeza em afinações mais graves (sexta corda em ré, por exemplo), a escala longa é um atributo que pode fazer a tocabilidade ser percebida como melhor ou pior, dependendo da preferência do intérprete. 
   
Como é marca registrada do Sugiyama, o acabamento e estética são fantásticos. O trabalho de arte na mão é algo digno de nota. Além disso, a escolha de excelentes madeiras é também um ponto forte do instrumento. Um cedro canadense no tampo com corte radial e boa densidade de veios, e um jacarandá com veios retos no fundo e laterais. O único porém no acabmento seria o fato de que o tampo de cedro apresenta uma região mais escura, provavelmente fruto de uma região escurecida da própria madeira que foi descoberta ao se "abrir" a  prancha para fazer o espelhamento do tampo. Isso pode ser percebido pelo fato de que ambos os lados do tampo possuem essa região escurecida de forma simétrica. Excetuando-se esse fato, a estética ao mesmo tempo sóbria e ornamentada do Sugiyama é dificilmente superada, e a própria qualidade da contrução transparece beleza.
  
O verniz utilizado é o poliuretano (PU), o que confere proteção e durabilidade. O estado do verniz é muito bom, com apenas uma marca mais profunda, de unha, perto da sexta corda.
 
Inclui estojo térmico usado, em razoável estado, e tarraxas japonesas de marca desconhecida.
 
Conservação do instrumento:
 
-estrutural: 4,5/5.Ótimo estado, nenhuma rachadura ou histórico de reparo. Super robusto e de construção excepcional. Apesar de não haver tido nenhum reparo, o instrumento passou por uma revisão do luthier, em 2013, que alterou certos detalhes da estrutura interna, adicionando peças de pau-brasil, a fim de aplicar certas melhorias que ele desenvolveu ao longo das últimas décadas. O resultado foi mais equilíbrio e desenvolvimento da sonoridade de certas notas, e melhor sonoridade geral.
  
- estética: 4/5. Muito bom. O estado geral do instrumento é excelente, o verniz mantém o brilho e parece até novo. Porém, uma única marca mais profunda de unha, duas marcas leves logo abaixo das primas,  e o fato de haver um ponto de coloração escura na madeira (provavelmente caracaterística da própria madeira que foi utilizada, e não algo ocorrido posteriormente), impedem o instrumento de ganhar uma nota perfeita.
 
Resumo:
 
Pontos fortes: sonoridade vigorosa, amadurecida, cremosa. Bom desempenho rítmico, construção soberba. Potência muito boa, e equilíbrio surpreendente para cedro.
 
Pontos fracos:  Variação de timbre tendendo à uniformidade, tocabilidade pode incomodar quem tem mãos pequenas.
 
Conclusão: É um dos melhores Sugiyamas que jamais experimentamos. Para quem aprecia o trabalho desse lendário luthier, e necessita de um instrumento de cedro com som amadurecido, muito bom estado de conservação, e lendário desempenho para música brasileira. O timbre é elegante, encorpado, com cremosidade e expressividade. Possui um equilíbrio raro para instrumentos de cedro, e com tamanha personalidade sonora. Certamente um dos motivos pelos quais o nome Sugiyama se tornou tão afamado no país entre artistas e amadores. Um instrumento muito interessante para música nacionalista espanhola, brasileira, século 20, repertório romântico, e tudo que exija boa articulação. O repertório popualr também é incrivelmente favorecido pelo conjunto de atributos deste instrumento, com percussividade, melodia e boa mistura nos acordes sem perder nitidez e definição. Um violão potente, equilibrado, cheio de personalizade e que transpira detalhismo e esmero.

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Especificações Não

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